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O alto preço de negar a luta de classes

Escrito por master.

Luta contra os pobresO crescimento do populismo dos dois lados do Atlântico está sendo investigado sob os ângulos psicanalítico, cultural, antropológico, estético e, (...)

Por Yanis Varoufakis, Project Syndicate
https://www.cartamaior.com.br/

A atmosfera política da anglosfera está tomada pela indignação burguesa. Nos Estados Unidos, o chamado establishment liberal está convencido de ter sido roubado por uma insurgência de "deploráveis" armados por hackers de Vladimir Putin e pelo funcionamento interno sinistro do Facebook. Na Grã-Bretanha, igualmente, uma burguesia furiosa precisa se beliscar para acreditar que o apoio para trocar a União Europeia por um isolamento inglório continua inabalável apesar de um processo que poderia ser descrito como um Brexit de cão.

A História nunca imita a ficção

Escrito por master.

TrumpEsqueça o acaso. Trump ainda governa porque parte das elites norte-americanas quer encobrir, com superioridade militar, a decadência geopolítica e econômica de um império em fim de linha

Por Nuno Ramos de Almeida
http://outraspalavras.net/

Há a ideia de que, muitas vezes, a realidade suplanta a ficção, como se os aspectos mais delirantes dos romances mais fantásticos fossem, por vezes, ultrapassados por momentos de ruptura no normal cinzento dos dias.

Na maior parte das vezes, as páginas de ficção apenas avisam, em cima da hora, para o que pode acontecer. É o caso do livro de Sinclair Lewis It Can’t Happen Here (Não vai acontecer aqui), de 1935, que discute, dois anos depois da ascensão de Hitler ao poder na Alemanha, a possibilidade de um candidato populista e fascista vencer umas eleições nos EUA. A obra foi recentemente considerada uma espécie de antecipação histórica de Donald Trump, sublinhando-se as parecenças entre o Twitter solto do atual inquilino da Casa Branca e o protagonista presidencial do livro, Berzelius Windrip, que na convenção que o elege candidato proclama que os norte-americanos “são a mais grandiosa Raça da face da Terra”, como quem diz, “make America great again”.

Distopia aqui — e agora

Escrito por master.

ArgelinosO planeta divide-se em duas zonas: uma “civilizada”, onde há um modo de vida a preservar, e outra selvagem, habitada por criaturas que podem ser abatidas para seu próprio bem

Por Nuno Ramos de Almeida
http://outraspalavras.net/

Antes dos comentários nas redes sociais, era o silêncio. Agora, os párias deste mundo são mortos várias vezes: são mortos quando as balas explodem neles e são mortos quando as hordas dos comentadores das redes sociais, instalados nos sofás das nossas cidades “Je Suis”, garantem que “se lhes aconteceu alguma coisa é porque alguma coisa de mal estavam fazendo”. Vamos do silêncio para o barulho, garantindo sempre o mesmo grau de indiferença ideológica, para que o massacre se faça sem grandes contestações. Conto quatro histórias: a primeira passou-se há duas gerações, durante as quais toda a memória foi apagada; uma é filha da guerra sem fim ao terrorismo; as últimas duas acontecem aqui em Portugal. Todas elas remetem para um fato. Nos nossos países ditos civilizados, os únicos humanos somos nós, os burgueses, brancos e que vivemos no meio das cidades. Todo o resto são seres subnormais que não são iguais a nós e cuja morte tem apenas, no máximo, um segundo de atenção e uma eternidade de indiferença.

Stiglitz: por que é preciso negar as patentes

Escrito por master.

PatentesUm Nobel de Economia explica: imposto a pretexto de estimular a ciência, sistema de “propriedade intelectual” favoreceu apenas as grandes corporações. Em favor da pesquisa, há alternativas

Por Joseph Stiglitz, Dean Baker e Arjun Jayadev, em Project Syndicate | Tradução: Maurício Ayer
http://outraspalavras.net/

Quando o governo sul-africano tentou modificar as leis nacionais em 1997 para beneficiar-se de preços acessíveis dos medicamentos genéricos para o tratamento de HIV/AIDS, toda a força legal da indústria farmacêutica global centrou carga no país, atrasando a implementação e impondo um custo humano. A África do Sul, por fim, venceu a disputa, mas o governo aprendeu sua lição: não tentou novamente tomar nas mãos a saúde e o bem-estar de seus cidadãos em desafio ao regime convencional global de propriedade intelectual (PI).

Marxismo e Ecologia, reencontro necessário

Escrito por master.

Karl MarxpngDivorciados no século 20, precisam voltar. Do contrário, não será possível superar nem o velho desenvolvimentismo, nem a mediocridade do “capitalismo verde”

Por Eduardo Mancuso | Imagem: Pablo Picasso, O Abraço (1900)
http://outraspalavras.net/

Nós só conhecemos uma ciência, a ciência da história.
A história pode ser vista por dois lados: ela pode ser dividida
em história da natureza e história do homem.
Os dois lados, porém, não devem ser vistos como entidades independentes.
Desde que o homem existe, a natureza e o homem
influenciam-se mutuamente
Karl Marx e Friedrich Engels, A ideologia alemã[1]

O homem vive da natureza, isto é, a natureza é o seu corpo,
e ele precisa manter um diálogo continuado para não morrer.
Dizer que a vida física e mental do homem
está vinculada à natureza significa simplesmente
que a natureza está vinculada a si mesma,
pois o homem é parte da natureza
Karl Marx, Manuscritos econômicos e filosóficos[2]

O trabalho é o pai da riqueza material… e a terra é a mãe
Karl Marx, O Capital[3]