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Reprovação Escolar: consenso pelo fracasso

Escrito por master Ligado . Publicado em ARTIGOS

Nonato Menezes

ReprovaçãoO fracasso do nosso Ensino Básico chega a ser acintoso. Como é acintosa, em suas iniquidades, a própria sociedade brasileira. Difícil, porém, querer negar certo determinismo histórico como uma das causas irremediáveis das nossas mazelas educacionais. A despeito disso, é inquietante convivermos com a falta de vontade, de ausência de desejos e esforços mínimos necessários dos que governam as coisas do País para supera-las, pelo menos no nível de outras nações pobres ou mais pobres que a nossa foram capazes de fazer.

Nossas elites não se importam com o Ensino Público. Elas não aceitam a possibilidade de o obscurantismo social, da indigência política e intelectual da nossa gente se tornem eventos do passado. As elites brasileiras são as piores do mundo, as mais entreguistas, as mais piegas e antidemocráticas, por isso não querem a organização da sociedade, cujo vetor mais importante é a Educação.

Alfabetizar, formar melhor, qualificar melhor, instruir adequadamente são caminhos irremediáveis para o desenvolvimento e ninguém deve ser suficientemente ingênuo para desejar o contrário. Mas nossas elites, de propósito, não querem a superação das carências advindas da falta de um Ensino Público profícuo.

É nesse contexto que se perpetua um Ensino Básico fracassado, cujos indicadores, todos eles, não resistem qualquer avalição qualitativa que seja. Da formação docente aos recursos didáticos, do desempenho estudantil à repetência, regra geral, todos carecem de qualidade suficientemente adequada.

Ainda que todas essas carências do nosso ensino se desenvolvam num contexto social, econômico e político geral, alguns podem ser analisados na perspectiva do espaço escolar. Não que se pretenda fazer um recorte com intuito de compreender o todo a partir de uma pequena parte, mas a intenção é de discutir um dos indicadores educacionais como sendo quase de inteira responsabilidade da própria escola.

Nesse caso a responsabilidade da escola recai na medida em que o indicador nasce e se perpetua graças, exclusivamente, aos procedimentos escolares, haja vista, sob qualquer modo de ver, ser um fenômeno gerador de danos a todos que nele estejam envolvidos direta e indiretamente e de fácil percepção dos vivem a dinâmica escolar.

Entre outros indicadores educacionais que pretendemos discutir aqui, a reprovação escolar será o objeto deste primeiro texto.

Abordarei a reprovação como geradora de prejuízos econômicos, de danos individuais, pedagógicos e políticos, entre outros.

Apontar para a escola como responsável direta pela reprovação, justifica-se pela ausente obrigação de quem quer que seja de reprovar. Ela ocorre, portanto, a partir de necessidades que nascem e se perpetuam numa “cultura” que tenta justificar as misérias, independente dos danos que elas possam produzir. 

Sob qualquer ponto de vista, a reprovação é inaceitável, pois a ninguém ela serve e só se justifica pela incompreensão política dos que lidam diretamente com ela e pela indiferença diante do desinteresse pelo Ensino Público perpetrado por nossas elites.

É nesse quadro de desinteresse e da mais fina indiferença aos danos produzidos pela Reprovação Escolar que se desenrola a estratégia política nacional que credencia o nosso Ensino Público como um dos piores do mundo.

 

 

Comentários   

 
0 #2 iris almeida 21-11-2016 00:34
Boa colocação, Nonato.

Há muito tempo a educação é palco de promessas políticas, mas que na prática reproduz desigualdades.

Agora, com a inserção do novo currículo em nome de uma "escolha não consciente", pode acarretar nos próximos dez anos mais desigualdade e pobreza.

E é notória a intervenção de outros poderes no setor educacional, o que é preocupante, pois nos exime de pensar nossa condição profissional no setor de educação. Seguir regras, leis e afins sem a real noção da diversidade e democracia no espaço escolar é uma falácia perigosa que induz ao ranking e ao neocapitalismo.
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0 #1 Marilia 21-07-2016 20:46
Enquanto a preocupação com a educação em nosso país continuar aparecendo apenas,de 4 em 4 anos,dentro das promessas dos políticos que almejam governar o país e não se transforme numa grande cruzada,onde as entidades sindicais,os movimentos sociais e a sociedade como um todo abracem essa proposta e lute por ela com afinco,do começo ao fim;a nossa educação continuará definhando por décadas sem que possamos vislumbrar uma luz no fim do túnel.
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