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A SANTIDADE DE VINÍCIUS DE MORAES

Escrito por nonato Ligado . Publicado em ARTIGOS

 

ViníciosAmar é querer estar perto, se longe;

e mais perto, se perto.

Vinícius de Moraes 

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Victor Neiva* - Às vezes, me pergunto com sinceridade e dúvidas profundas, pra que manter esse ideal? Esse sonho distante, essa utopia que na maior parte do tempo só traz sofrimento e favorece a amargura. Essa necessidade de retidão que me impede de tomar decisões que me trariam alívio. Essa fonte inesgotável de inflexibilidade tão propensa a afastar colegas, amigos e amantes, essa ânsia de luta no mais das vezes suicida contra um inimigo infinitamente mais forte e escalado, essa razão longinquamente abstrata para tanta renúncia a desejos e reconforto, enfim, essa tola incapacidade de aceitar o mundo e ser a cruel brutalidade de forma resignada e distante.

Chego realmente a entender os “heróis que morreram de overdose”, os talentosos líderes que pelegaram os homens de belas histórias de lutas e realidades artísticas, os burocratas gélidos de insensíveis, os vendilhões, os “reformistas”, os maliciosamente pragmáticos e os desistentes propensos a ermitão.

Mais do que eles, compreendo os crentes, que se apoiam na fé em um possível castigo ainda pior se não suportarem a vida e mantiverem a retidão, e os viciados, que ante tanta vilania e iniquidade se entregam ao entorpecimento para se anestesiar da truculência do mundo.

A dor do dia a dia é implacável. Nos empurra a mesquinharia e a defesa contra ameaças, às vezes, inexistentes de agressão e carestia mais que cansa, esgota, aflige, tortura, desespera, desencanta. Não me sinto realmente na condição de julga-los ou repreendê-los. Mais do que isso, assumo que me sinto como eles e sou forçado a perceber que posso me tornar um deles.

E então, agradeço ao acaso, destino, carma ou esta força estranha que alguns chamam de Deus, por ter me dado oportunidade de ter conhecido muitos guerreiros de palavras, atos e armas, que passando por uma verdadeira expiação, conseguiram manter a sua firmeza de caráter e a sua determinação de luta. Não para comparar com o meu sofrimento e percebê-lo pequeno, pois pela poesia percebi que dor não se compara, mas para simplesmente ver que é possível, senão vencer, ao menos suportar.

Agradeço ainda ao santo em que deposito a minha fé: Vinícius de Moraes.

Deixe-me explicar. Santo é o devoto que opera milagres. E não há como negar a devoção de Vinícius pelo Amor, o Deus do Deus que mandou seu filho para nos ensiná-lo, e pela poesia. Os milagres, por sua vez, são uma evidência ofuscante.

Quantas almas se curaram da doença do desamor? Quanta caridade praticou em trazer do ostracismo da desigualdade, seguidores e mestres para tocar o coração de ainda mais gente? Nos ensinou a pior solidão do mundo e a capacidade de se transfigurar pela poesia? Viveu a sina de sofrer de amar repetida e ininterruptamente mantendo firme a sua fé, casando mais de uma dezena de vezes e suportando diversas vezes a chaga de uma separação?

E claro que é santo. E que não se diga que por ter se entregue aos prazeres da vida perdeu a condição de santidade. Foi, por toda a vida, um exemplo de generosidade e compreensão, mantendo a firmeza do caráter e a sensibilidade contra as injustiças e arbitrariedades. Lembremos quanto a isso que nem mesmo Jesus disse que amar ao próximo e se devotar a Deus deveriam doer, apenas que podia.

É ele o santo que me salva nessas horas. Quando penso no porquê de se manter o ideal só Eurídice me vem a cabeça para me lembrar que, como diz Vinícius, em relação à bela mulata, viver sem esta Utopia também é olhar para um relógio sem os ponteiros dos minutos. Que é ela a hora, que dá sentido e direção ao tempo.

Afinal, a escolha de viver como ermitão, renunciar ou vender os ideais esvaziará o sentido da vida, reduzirá a existência ao material, o amor ao sexo, amizade à farra e ao consolo, o legado à herança e a paternidade à reprodução.

Portanto, esse santo cura, esses exemplos fortalecem e esse ideal se justifica e, por amor e poesia, devemos compreender e aceitar até mesmo aqueles que nos parecem terem sido vencidos pela contundente realidade, até porque ninguém está a salvo dessa sina.

*Victor Neiva é advogado em Brasília.

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