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A Escola e a Rua

Escrito por nonato Ligado . Publicado em ARTIGOS

RuaNonato Menezes - São espaços distintos ou uma está na outra? O que fazemos dentro das escolas nada tem a ver com o que está depois de seus muros? A escola parece entender que sim, mas erra fragorosamente, pois a tentativa de distinção se motiva por causa dos valores econômicos e sociais aos quais ela se envolve e se desenvolve. Para um dos espaços há pensamento e ações diferenciadas, para o outro sua flagrante negativa.

Nos meios, digamos mais nobres, a escola vislumbra o interior da escola com certo estético e organizacional e não se aparta tão fortemente do espaço que a rodeia. Em maior ou menor grau, neste caso, rua e escola se entendem, se misturam, procuram coexistir como num único mundo.

Na periferia, de valores econômicos escassos e de pobreza social definida, a escola e a rua se veem como inimigas. Elas se agridem. Consideram-se distintas e violentas uma com a outra.

A escola se cerca de arame farpado para “se proteger” da rua. Para a rua a escola parece deslocada e injusta. Talvez por isso, o relacionamento seja estridente e de difícil aproximação.

Mas a rua precisa da escola e a escola não tem como existir sem ela. Então, por que a animosidade, já que uma é inerente à outra?

Uma hipótese. O papel da rua é existir. Ponto.

Rua 1A escola deveria andar nas ruas, porque dela se nutre. Desfazer o medo e contribuir para melhorar o que está além de seus muros é também, necessidade e sua obrigação.

A rua têm necessidades que a escola poderia facilmente se intrometer. Intromissão coerente com o sentido da vida, onde só há bom relacionamento se for de mão dupla.

A rua oferece à escola o seu essencial: o humano. Tem dela inúmeras expectativas, mas se frustra e insatisfeita releva sua importância. E alimenta o jogo: você não me olha, também não te vejo!

Rua 2A escola deveria ir à rua com o que pode e com a obrigação que tem de fazer o possível. Mas ela não vai à rua porque não se sente parte dela, por isso até faz pouco caso. Então, aí está aí um mundo dividido em dois por inatividade da escola. Aquela Instituição que deveria perder o medo e aceitar a condição de ser parte da rua, não inimiga dela, age com injusta pretensão de querer se sentir melhor em que ela mesma faz parte. Aparta-se dele e ainda diz que a culpa pelos erros de natureza social, econômica e política é da rua. Exercício vicioso de culpar quem me culpa o que não melhora em nada.

Um exemplo dessa patetice social.

Duas escolas na periferia do Distrito Federal. Ambas públicas. Voltadas para si mesmas, cuidam da estética a ponto de cultivarem flores, embora em paisagem gradeada.

Seus muros as separam do lixo jogado pela comunidade que precisa e se serve da escola. Incoerência? Sim! Quem deve e o que fazer?

Rua 3Essa comunidade não tem o discernimento, por razões conhecidas, dos efeitos do lixo urbano em suas portas. Ela não tem o conhecimento adquirido desde a Europa Medieval, quando percebeu que lixo exposto na rua é doença na certa. Ela ainda não percebeu as implicações trazidas das lixeiras céu abertas às suas portas. Ou repousa na ingênua constatação de que há alguém que limpe, logo que ela se dispor a sujar.

A escola sabe dessas implicações? Provavelmente! Se não souber é por ignorância. Mas ela sabe, tanto que em seu interior há flores. E também sabe que ela mesma não é um círculo fechado. Flores no seu interior e lixo colado em seus muros é apenas prova da incoerência e da falta de ação para honrar o compromisso social que ela deve ter.

Rua 4Então, a escola que mantêm isso se exime da responsabilidade que deve ter consigo mesma e com a comunidade que serve e dela precisa para existir. Custa a ela, portanto, um trabalho político de envolvimento e esclarecimento não só às crianças e adolescentes que frequentam suas aulas. Pais, moradores e frequentadores eventuais precisam se sentir responsáveis por seus ambientes e por suas próprias saúdes. A Escola tem como contribuir para aprimorar essa visão, mesmo porque ela continua sendo referência política e pode muito bem lidar com esse público para ajudar a defender o interesse de todos. Não há como negar que a Escola sempre foi e continuará sendo um forte agente político. Não atuar politicamente por medo ou inibição em nada contribui para se valorizar e menos ainda para ser defendida por quem mais precisa dela.

Rua 5A escola precisa dizer à comunidade que cultivar flores, ou, no mínimo, manter seu ambiente limpo, livre de bactérias é saudável, necessário à vida. E que quase sempre é com pequenos custos. Mas dito sem culpabilidade ou piedade. Com a firmeza que a circunstância exige.

Então, a ação política é fundamental. À escola não basta ensina a ler, escrever e contar, o que, aliás, está fazendo muito mal. A ela cabe, para seu próprio bem, lidar com envolvimento político, sair da sua concha e ampliar sua função social. Para isso, sobra álibi. Faltam coragem e disposição política.  

 

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