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Reprovar na Escola é Aceitar o Fracasso Social

Escrito por Super User Ligado . Publicado em ARTIGOS

ReprovaçãoNonato Menezes - Não é sempre que a grandeza das coisas nos impressiona. Das vezes que nossa atenção se volta para o que é grande, seja no mundo natural, seja nos nossos feitos, apenas damos a importância devida quando ficamos sob risco. Se o risco não parece iminente no tempo e no espaço, sobressai a rotina que nos cega, que nos acomoda.

            Dos efeitos mensuráveis, reprovar na escola brasileira é de uma grandeza extraordinária. É assim nas perdas econômicas e, também, no número de pessoas prejudicadas pela reprovação. Mas isso não tem importância. Não vale os textos que se escreve, tampouco o tempo destinado à discussão a respeito de tal objeto. É grande, mas não se destina qualquer atenção a ele.

                O censo escolar de 2011, apresentado pelo INEP, no que se refere ao Distrito Federal – unidade da federação que, percentualmente, mais reprovou no Ensino Médio - a estimativa de custo da reprovação só naquele ano foi de R$ 69.215.796,00, descontadas as perdas econômicas originadas dos alunos que abandonaram a escola. 

                Fica, então, a considerarmos este exemplo, a constatação irrefutável do enorme prejuízo econômico à sociedade, causado pela reprovação escolar. Num contexto de vulnerabilidade social e carências explícitas de parte considerável da população, algo de grotesco acontece para que os poderes públicos e a sociedade em geral, não deem atenção adequada a esse fenômeno. Mais grotesco ainda é termos que constatar a ausência de preocupação, mínima que seja, com o tema na própria Secretaria de Educação, sentida em todas suas instâncias, sobretudo nas escolas. O que se ouve, quando ocorre, é como se fosse sobre algo absolutamente irrelevante. Oxalá, não acontecesse o mesmo em todas as Secretarias de Educação do País, inclusive no MEC.

                Se esse custo fosse de construção de uma ponte que não foi concluída, ficaria apenas no desperdício do dinheiro ou, no máximo, frustraria as esperanças de quem dela precisaria para cortar caminho. Mas com a reprovação escolar, há desdobramentos.

                Das várias implicações, nenhuma delas me parece fértil à sociedade que pretende superar problemas históricos que fizeram e fazem da exclusão social o abrigo de todos eles.

                Reprovar na escola gera atraso na instrução, impede o domínio técnico e bloqueia consideravelmente a socialização das pessoas. Tal procedimento, para quem vive na insegurança existencial, pavimenta o caminho para a exclusão ou, simplesmente, consolida.  

                Na própria instituição Escola, reprovar é problema. Basta observarmos a insatisfação dos docentes ao terem que lidar com alunos retidos. Havendo compromisso profissional ou não, trabalhar mais um ano com quem “perdeu” um, dois, três ou mais é sacrifício dobrado, sem contar a sensação de afazeres perdidos.

                Não ficam aí as implicações geradas pela reprovação escolar. Ainda que negligenciados, outros aspectos carecem de leitura atenta e de discussão consistente. Não podemos dizer que reprovar uma criança de nove anos, por exemplo, não representa uma atitude moral e também, ética.

                Se os valores enraizados na sociedade devem ser preservados e ou aprimorados, vale dizer que todos eles têm apenas um objetivo: servir ao bem-comum. O exemplo citado, portanto, não atende nenhum princípio moral, já que reprovar, sobretudo naquele tempo de vida, nada mais significa que prejudicar. E prejudicar quem não tem a mínima condição de se defender, ainda que para a maioria, reprovar signifique corrigir, mudar comportamento para melhor. Em suma, uma atitude pedagógica. Argumento insustentável, pois além de ser contestado pelas inúmeras pesquisas, também pode sê-lo por uma simples observação feita sobre o estudante que foi reprovado.

                Como manifestação ética, citando o mesmo exemplo, é indefensável, pois jamais a reprovação significou ou venha a ter sentido de boa convivência. Ser ético é, em princípio, evitar prejuízo ao outro. Então, como devo não admitir dano ao reprovar uma criança de nove anos?

                Há também, sentido político no ato de reprovar, já que o processo educativo, seja lá qual o seu resultado, em si mesmo, é uma ação política. Isso significa que o ato de reprovar sustenta interesses; sejam difusos ou não.

                Por fim, a leitura feita, mesmo sem o necessário aprofundamento, sobre a reprovação escolar só nos leva a um ponto: exclusão social. Isto significa que a reprovação do ponto de vista econômico, político, pedagógico ou quaisquer que sejam suas implicações só contribui para o aprofundamento da desigualdade social. Ou, na melhor das hipóteses, atende as exigências de uma sociedade autoritária, excludente que, “sem perceber” tem uma escola que contribui para que essa situação continue como está ou piore. Ainda que seja à custa do sacrifício de muitos.

 

Comentários   

 
0 #1 Nelio 06-02-2014 23:49
Parabéns pelo texto. Infelizmente trata-se da mais pura realidade. Assino embaixo, e acrescento que tem muito diretor de escola por aí que passa por cima da ética e moral e assedia os professores a aprovarem os alunos, mesmo que estes não tenham a freqüência mínima necessária, tal qual determina a LDB, ou mesmo a nota 5,0, tida como mínima para aprovação, e que muitas vezes pode ser obtida apenas pela dedicacão/parti cipação nas atividades desenvilvidas na sala de aula
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