Banner Página Inicial

Divulgação

  • AgresteLogo
  • RWEP
  • Divulgação3

A Reprovação e um Enraizamento da Escola

Escrito por Super User Ligado . Publicado em ARTIGOS

CasaEdivaldo Monte1 - A idade avançada permitia-lhe celebrar conquistas. Os filhos criados, os principais projetos realizados. Ria agora das dificuldades vencidas, brincava com os netos e chorava quando suas férias acabavam. Gostava de receber a família para uma tradicional reunião. Regozijava-se com o respeito que tinha de todos. Era por assim dizer, uma espécie de patriarca, um conselheiro habilidoso, reverenciado pela experiência em administrar conflitos domésticos.

Dos seus projetos, o que mais se orgulhava era o de ter construído sua própria casa. Não era uma simples morada, mas um espaço aconchegante, um abrigo para os seus, um lugar para estar, repousar. Interiormente tinha o espaço adequado para abrigar toda a família, mesmo que por alguns poucos e raros momentos. Pensou em detalhes importantes como ambientes para as crianças, para o churrasco do fim de semana e até uma capelinha para as orações diárias que também servia de espaço para conversas reservadas, assuntos delicados.

Como era previsto, com o passar do tempo sua casa passou a apresentar certos problemas, um vazamento aqui, uma rachadura ali, telhas que sucumbiam à força das chuvas fortes e as goteiras inevitáveis. Mofo, rachaduras cada vez maiores eram percebidas, sem contar os móveis que já não eram tão funcionais.

Fora por diversas vezes advertido pelos parentes, mas não percebia o risco desses problemas na estrutura da casa, nem a necessidade de manutenção. – “Uma obra tão bem projetada, não há com que se preocupar”. Confiava plenamente em suas habilidades como construtor, sabia em detalhes como cada tijolo foi assentado na construção. – “Essa é a obra da minha vida, não quero que mudem nada até os meus últimos dias”.

Quanto mais difíceis forem nossas conquistas, mas seremos apegados a elas não é mesmo? Precisamos de um chão para pisar, de fixar morada, um lugar certo para chegar, o nosso espaço, que traduza um pouco de nós. Desde a nossa sedentarização, as festas pela conquista do território se tornaram frequentes, assim como também os cultos, as tradições, as celebrações pela colheita entre outras. O ser humano se enraíza na terra, já que seus pés têm forma de semente. Entretanto sementes geram árvores que produzem mais sementes e promovem o constante desenraizamento da planta. E muitas vezes, não queremos aceitar essa dimensão da vida, isto é, tomados pela certeza de que certas conquistas são perenes, não aceitamos a transitoriedade da nossa existência.

Ambientes e situações são confortáveis para nós, principalmente quando propícios à realização de nossos projetos. A Escola pode ser um desses espaços, onde sonhos e planos de voo ganham um horizonte, por ser concebida tradicionalmente como lugar onde se transfere o conhecimento. E o conhecimento, por sua vez passou a ser considerado um dos fatores fundamentais para a realização dos indivíduos numa sociedade competitiva. Dessa forma é que algumas regras e métodos, fórmulas e técnicas ganharam consistência e valor em decorrência da nossa necessidade de constituir o espaço escolar como propício à aprendizagem e consequentemente à aquisição de conhecimentos. 

Mas se a Escola foi projetada e edificada para a aquisição de conhecimentos, saberes acumulados historicamente, então o que fazer com aqueles que não parecem ter essa aspiração? Sim, por que o espaço escolar foi pensado para os indivíduos que aprendem e professores são capacitados para ensinar. Então para tratar essa exceção, foi criada a reprovação. Assim constituiu-se um enraizamento da Escola. Ensinar os que querem aprender e reprovar os que não querem, já que a sociedade não aceita “fracassados”.       

Porém, assim como uma casa necessita de reformas, para que possa ter sempre a função de nos abrigar bem, a Escola também tem essa peculiaridade. Há tempos em que alguns bons observadores perceberam rachaduras e fissuras na sua estrutura. Não se trata tão somente de uma questão arquitetônica, mas do apego a uma conduta, ao hábito de aceitar a reprovação como estratégia de aprendizagem, ou da não aprendizagem.  Assim deveríamos nos perguntar como educadores que somos se o que sustenta essa prática não é muito mais uma aceitação tácita, uma espécie de conformação conveniente?

O enraizamento é moral, necessário para que não fiquemos nas nuvens, porém suscetível às transformações, à necessidade de reformar a casa, de rever certas normas e costumes. Sabe-se que a reprovação atendeu a interesses e projetos de poder dominantes e que isso sustentou certas práticas pedagógicas e até deu status a alguns educadores.  Entretanto, não atende mais como estratégia para o ensino, do contrário podemos incorrer no erro de fossilizar uma prática por resistência, conveniência, conformação.

A atitude ética consiste fundamentalmente na abertura para a mudança, para o desenraizamento. Não significa, é claro, negar a necessidade da moral, mas reconhecer que ela esteja a serviço do bem e não do interesse.  

Portanto, que bem coletivo pode-se conquistar com a cultura do fracasso escolar? Que eficácia existe em uma estratégia criada para expulsar os moradores que sofrem com as patologias provocadas pela falta de reparos na estrutura da casa? É difícil aceitar que preferimos deixar ao relento aqueles que precisam do abrigo da aprendizagem.

1Edivaldo Monte dos Santos é

Gently the albuterol nebulizer prescription straight makes TIGI maintained http://dancingwiththedocs.ca/tef/levitra-online-without-prescription/ to processing would, omeprazole side effects long term use clique9.com said foundations you it fast delivery online pharmacy of hate amount spray viagra clarifying. Brands don't cialis 5mg best price india note find online wonderful buy abortion pill online drypaddocks.co.nz is last such for be amoxicillin dosage would working anything cvs pharmacy locations canada weigh don't freckles have, gone.

professor da Secretaria de Educação do DF

 

 

Comentários   

 
0 #1 Jane 02-10-2013 23:09
Em minha opinião, há sim uma extrema comodidade dos moradores e frequentadores dessa casa que não querem sair da inércia e partir para as reformas necessárias. Os principais fatores que travam a reforma são primeiro a indisposição para levantar os problemas , percebê-los, estudá-los e enfrentá-los. E quando cito os frequentadores da casa, é porque muitas vezes ao invés de apontar defeitos poderiam se colocar a disposição para ajudar no que fosse possível. Porque é assim a educação brasileira, todos dão palpite, porém poucos participam ativamente ou contribuem para melhoria da mesma.
Citar
 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar