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Polêmica: Esquerda sem Antígona?

Escrito por master.

AntígonaTodas as ferramentas conceituais e experimentais da esquerda estão sujeitas a uma submissão às formas sociais do capital. Os escritos de Adorno e Kurz nunca fizeram tanta falta.

Por Thiago Canettieri | Imagem: Marie Spartalli Stillman, Antígona e deixai que os mortos enterrem os seus mortos (Mateus, 8-22)
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A peça Antígona, integrante da Trilogia Tebana, escrita por Sófocles[1], é, talvez, uma das mais conhecidas passagens da tragédia grega sobre o luto e a morte. Quando Creonte, rei de Tebas, entrega o trono a Édipo, que havia derrotado a Esfinge, este também se casa com Jocasta e, com ela, tem quatro filhos: Etéocles, Polinices, Antígona e Ismene. Como se sabe, Édipo havia matado Laio, antecessor de Creonte, seu pai, e se casou com a própria mãe, Jocasta. Ao descobrir tal infortúnio Édipo se cega e pede para ser exilado. Com isso, o trono passa para seus dois filhos homens: Etéocles e Polinices, que prometem revezar no trono. O primogênito, Etéocles, reina primeiro, mas não cumpre a promessa, iniciando uma guerra entre os irmãos que, em batalha, se matam. A maldição de Édipo segue seu curso, mesmo com seu exílio. Assim, Creonte reassume o trono de Tebas que, por sua vez, determina que todas as honras da morte, com sua pompa e circunstância, sejam dadas a Etéocles, enquanto proíbe que Polinices, considerado um traidor, seja sepultado ou receba o funeral devido. Antígona, então, decide cumprir as exéquias e sepultar o irmão que teve seu corpo jogado às aves de rapina e outros animais. Ela acaba sendo detida pelos guardas que vigiavam o corpo, é levada até Creonte que a condena morrer presa em uma caverna. Lá, Antígona se mata.

Máquinas digitais: hora de desconectar?

Escrito por master.

Vida DigitalDouglas Rushkoff, um dos grandes teóricos do mundo digital, adverte: redes sociais mobilizam nosso lado réptil- primitivo, para que troquemos a política pelo consumo

Entrevista a Juan Iñigo Ibánez | Tradução: Inês Castilho | Imagem: Steve Cutts
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“Para o Facebook somos o produto, não o cliente”, repete o teórico da mídia estadunidense Douglas Rushkoff desde 2011. Embora o episódio Cambridge Analytica e o comparecimento de Mark Zuckerberg perante o Senado norte-americano tenham abalado a opinião pública, o que realmente chamou a atenção deste escritor e documentarista de 57 anos foi “como as pessoas ficaram surpresas”. “O plano de negócios do Facebook – assegura ele, falando do subúrbio novaiorquinho de Hastings-on-Hudson, onde reside – sempre foi extrair dados da atividade das pessoas, para vendê-los em seguida”.

Índios: a trágica Educação “ofertada” pelo Estado

Escrito por master.

Educação IndígenaHá mais de 2 mil escolas indígenas no Brasil. Baseadas em pedagogias brancas, colonizam, domesticam e destroem uma forma de transmissão de saberes com a qual muito teríamos a aprender

Por Angela Pappiani | Fotos: Helio Nobre/ikore
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Não consegui controlar o sentimento. Fiquei com pena das crianças, pequenas ainda, os menores com 3 ou 4 anos, naquele cercado de folhas de babaçu, no meio do pátio da aldeia. Os dias de julho no cerrado brasileiro são secos, 40 graus, derretendo os miolos e abaixo dos 10 graus nas madrugadas, com um sereno fino que deixa tudo molhado e gelado. Os meninos, com calçãozinho vermelho e sem camisetas, dormiam sobre esteiras trançadas de palha, com o céu estrelado sobre a cabeça. O fogo, no centro do círculo, era para aquecer. Mas eu, com blusa de lã e enrolada no cobertor, tiritava de frio. As mães e irmãs levavam comida e água algumas poucas vezes ao dia. E eles resistiam, firmes, levando a sério seu papel importante na cerimônia que se repete apenas a cada 15 anos, o Wai’a.

Nosso Legislativo é uma farsa

Escrito por master.

LegislativasNonato Menezes

Quem primeiro identificou funções distintas no “poder soberano” foram os gregos antigos. Aristóteles, o precursor, foi quem percebeu que naquele poder havia uma função de elaborar normas, outra de aplicá-las, havendo ainda a função de dirimir conflitos, eventualmente surgidos da aplicação ou da execução daquilo que as leis e seus executores preconizavam. Foi aí que surgiu a iniciativa grega de atender a necessidade de dividir o poder soberano para melhor governar.

Mas, somente com Charles Montesquieu, ajudado por outros enciclopedistas, é que a ideia tomou forma, teve seu conceito ampliado e recebeu o desenho que temos hoje, o de poderes de Estado ou poder soberano, como deixou dito Aristóteles. Dessa forma, o poder soberano, que tinha funções distintas, foi reorganizado segundo suas funções específicas, isto para melhorar a governança do Estado, surgindo assim, as três nomenclaturas de poder que hoje conhecemos: Poder Legislativo, Poder Executivo e Poder Judiciário.

Morte da Filosofia e retorno do pensamento mágico

Escrito por master.

FilosofiaRetirar a disciplina da grade escolar sugere vê-la como inferior à Ciência. Tal discurso implica, paradoxalmente, reduzir Ciência a magia e religião

Por Fran Alavina | Imagem: Henry Fuseli, Três estranhas irmãs de Macbeth (detalhe), 1875
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Desde meados do ano passado, a questão sobre a retirada da Filosofia como matéria obrigatória da grande curricular do Ensino Médio foi ganhando maiores dimensões no debate público. Pode-se afirmar que um dos pontos altos deste aumento de dimensão tenha sido as tentativas perpetradas, em particular pela Folha de S.Paulo, de desmerecer a Filosofia como saber.

Primeiro, a divulgação dos esdrúxulos resultados de uma pesquisa que apontava as aulas de Filosofia na carga horária discente como principal motivo da queda de desempenho em Matemática. Depois, uma entrevista, indecisa entre o reconhecimento e a bajulação, na qual traçava um suposto futuro inequívoco para a Filosofia: sua morte. Disse o pesquisador que o jornal bandeirante entrevistou: “o que é objetivo da filosofia vai ser resolvido pela ciência, e a filosofia vai passar a história”.